Depois de ler um excelente livro de Francisoc José Viegas, outro perfeitamente mediano. Este é um policial simples que nem supreende muito, ao contrário dos grandes livros do género. Passado na altura da Expo 98, Um crime na exposição leva-nos a relembrar essa grande festa do século passado cujo tema foram os Oceanos. Sob o palco da exposição, a dupla de inspectores criada por Viegas vai resolver uma série de homicídios. Embora seja um livro simples, o enredo não entusiasma o leitor, não o supreende com o desenrolar das investigações e a própria escrita, por vezes, torna-se demasiado aborrecida. De futuro, esperemos melhor.
O romance da solidão portuguesa é uma obra quase obrigatória. Francisco José Viegas escreveu um dos grandes livros da última década. Embora nos seja apresentado um policial, este só o é na aparência. Na realidade, estamos perante uma forma melodiosa sobre a alma lusitana. O existencialismo do ser-se português nos tempos modernos. Este tipo de literatura já foi abordado várias vezes por João Aguiar mas em Longe de Manaus, Francisco José Viegas consegue explorar rumos que Aguiar nunca trilhou. Talvez o único aspecto, detalhe minímo mesmo, é o facto dos personagens serem já conhecidos de outros livros. Até que ponto isto afecta a construção das personagens a quem lê Viegas pela primeira vez é uma questão que não sei responder. A ler!
Mais um livro que vem da prateleira dos "há séculos". Lídia Jorge dispensa apresentações e encontrava-se entre os autores de língua portuguesa que queria mesmo ler. Mas como eu nào sei explicar bem o que me leva a adiar indefinidamente certas obras ou autores, só agora, passado mais de uma década é que li um dos seus mais famosos livros. Gostei bastante do estilo de escrita. A forma doce e suave mas ao mesmo tempo energética com que nos dá a contar a narrativa e nos dá a conhecer as personagens é bastante original e, acima de tudo, agradável. É um prazer ler a escrita de Lídia Jorge. O lado menos bom foi a estória em si. Embora com um início bastante prometedor, penso que o facto da contra-capa revelar demasiado do enredo acaba por estragar o efeito supreendente que acaba por não acontecer. No fundo, já se sabe ao que vai e isso retira muito do poder que a estória poderia dar. De qualquer modo, é uma autora a explorar.
O primeiro romance de Valter Hugo Mãe é como uma das suas principais marcas a nível estético: miúdo. Embora o estilo de escrita se mantenha fiel na sua segunda obra, que é bastante boa, este livro fica muito aquém da crítica, e das expectativas. Talvez por o enredo do mesmo não ter grande interesse. E como tal, rapidamente o livro passa a ser algo que se folheia mas não se sente. E, voltando ao ínicio, não consigo perceber o porquê das letras miúdas em tudo. Para alguns será talvez uma lufada estética de ar fresco. Eu pessoalmente não gosto.
Já há muito tempo que aprecio a escrita de Miguel Sousa Tavares. Desde simples artigos, crónicas até ao seu primeiro grande romance, o Equador. É um daqueles casos em que se gosta ou detesta, especialmente se estivermos a falar de política ou futebol. Pessoalmente, depende. Neste pequeno livro que se lê com um folêgo, não encontramos a sua melhor prosa mas é uma boa leitura. A estória, verídica, consegue transmitir muito bem o que foi a viagem realizada até ao deserto do Sahara. Num registo que abraça o cómico e o drama, o relato dos quatro dias de aventura num tempo sem GPS e outras comodidades, é bastante vivo e consegue dar a ver as cores que naturalmente preenchem o deserto. A ler.
Este é um livro muito divertido. E cheio de factos. Muitos factos. Factos que nem todos pensam sequer em memorizar quanto mais sequer em pensar sâbe-los. De um modo muito divertido, Garth Sundem apresenta-nos um livro que é, mais do que um guia, uma enciclopédia de curiosidades, puzzles e muitas outras coisas que, podemos achar interessante ou não. A pessoa certa vai achar que tudo no livro o é. A pessoa errada nem passa das primeiras páginas. Ninguém vai dominar o mundo por saber o que é um pantograma ou como escrever o nome em elvético, mas fica a intenção.
Será o universo na realidade um computador quântico? Para Seth Lloyd, professor no MIT, a resposta é sim. Neste livro onde expôe os conceitos de informação, mecânica quântica e, naturalmente, computação quântica, o autor expôe a sua tese. O livro está bastante bem conseguido pois de uma forma clara e bem disposta dá aos leitores toda a informação que precisa (para este nível obviamente) para compreender a teoria por detrás da computação quântica, assim como momentos da vida do autor que o levaram a percorrer o caminho que escolheu. É um livro interessante que recomendo a leitura.
Quem é que não gosta das aventuras e desaventuras de Richard Feynman? É-me ímpossível descrever a lenda Feynman porque não tenho dúvidas em considerar este "personagem" como o grande responsável pelo meu gosto pela Física. Só tenho pena de não ter tido contacto com os seus livros quando as minhas professoras de Física e Química, no unificado e secundário, eram, sem exagero, mediocramente más. Este livro não é o melhor de Feynman mas é um livro curioso. Contém seis das suas lições mais fáceis das suas famosas The Feynman Lectures on Physics. E são grandes lições. É quase impossível não gostar de Física com explicações deste nível. Para quem está esquecido das lições base este livro é uma excelente forma de as relembrar!
Sempre gostei de Física e ao longo dos últimos anos, esta minha pequena paixão tem sido mantida pelos diversos livros de divulgação científica que são lançados. Curiosamente não procuro um tema específico em particular, o que pode ser bom ou mau. Resultado disto tem sido uma quase total ignorância sobre "String Theory". Nunca li nada que aprofundasse muito o assunto e como tal, a mesma sempre foi um grande mistério, uma incógnita. Atenção que não pretendo saber o mesmo que um físico visto que para um leigo sobre o assunto, só se pode almejar um conhecimento muito, mas mesmo muito, por cima das "ondas". O livro de Lee Smolin atraíu-me porque tocou num ponto que eu considerava muito verdadeiro. Isto é, que a "String Theory" tinha realmente coisas muito complicadas e fora da realidade (quantas dimensões? 11? Mais?!) e, de uma forma muito muito muito redutora, que talvez não seja uma teoria verdadeira pois o que se torna muio complicado sem se poder testar, é porque algo está errado. Um pouco como a expressão "O rei vai nú" (não ligar ao livro de Roger Penrose). Bem, o livro é sem dúvida espectacular e um dos melhores que já li sobre Física. Mais do que isso, é um extremamente elucidador sobre o que é fazer Ciência, ser-se cientista e o modo como a comunidade científica age. O espaço aqui é sempre pouco para poder escrever uma reflexão cuidado sobre este livro magnífico. Simplesmente considero de leitura obrigatória, em especial, para aqueles que acreditam que fazem Ciência, sendo isso verdade ou não.
Eu gosto imenso de Cyberpunk muito por causa da obra de Neal Stephenson. Ao percorrer as estantes de ficção científica, onde este género habita, vejo uma daquelas secções de recomendações da livraria. O particular neste caso é que as sugestões centravam-se no tema "Influências Cyberpunk". Conhecendo praticamente tudo onde a razão para esta expressão o livro Down and Out in the Magic Kingdom de um autor que também desconhecia: Cory Doctorow. O engraçado nisto tudo é que depois nos apercebemos de, como é que que foi possível não ter ouvido falar antes dos mesmos. Pois. Independentemente disso, lá levei o livro. Os pressupostos são bastante engraçados e o ambiente, de um certo modo, quase surreal. Mas estas ideas são mal implementadas na minha opinião. Este livro tem outra particularidade: foi lançado sobre uma licença Creative Commons.